no Extremo Oriente ...à descoberta de um novo mundo
Quarta-feira, 20 de Junho de 2007
1, 2, 3 Macaquinho do Chinês...
Quem não se lembra de jogar ao Macaquinho do Chinês? Porquê do Chinês? Porquê Macaquinho? Foi pergunta que nunca fiz, e que nunca ouvi ninguém fazer. Será que na China também se joga ao Macaquinho do Chinês? Ou não há tempo para isso? Será que o tempo é tão escasso que é preciso que o governo publique uma lei que "incentive os pais e tutores a deixarem as crianças brincar e descansar"? Achei chocante esta notícia quando ela saiu, e não foi assim há muitos dias. Fiquei abismada, não obstante já saber de alguns dos pormenores que lá são descritos. As crianças chinesas não têm tempo para si, para as brincadeiras, para dormir ou descansar. A pressão é muito grande.

Nas crianças estão depositadas as esperanças de pais sedentos de sucesso...ou apenas de melhores condições de vida? A pressão que sofrem os estudantes que deixam de saber muito cedo o que é brincar e divertir-se para estudarem afincadamente com vista à entrada na Universidade, a pressão para que frequentem as aulas de línguas, de ginástica, de golfe e de uma série de outras coisas que lhes preenchem de tal forma o tempo que quando são confrontadas com a questão: O que é que mais gostas de fazer no tempo livre, elas respondem: dormir! As crianças que nós conhecemos normalmente respondem brincar...aqui é ao contrário.
Na semana passada foram os exames nacionais. Cortam-se ruas, os pais ficam nervosos e aglomeram-se à porta das escolas. Isto por si só já é pressão. Depois é o esperar pelas notas, e eu nem faço ideia como devem ser os dias antes das provas. Na universidade estão depositadas as esperanças de um futuro que se espera promissor...mas a que preço?

Ontem conheci, por razões de trabalho, o Dan . O Dan é um chinês de mais ou menos 28 anos, que estudou no Estados Unidos. Esteve por lá 8 anos, ( longos e penosos anos) e em nenhum deles voltou à China. Nas férias arranjava trabalhos sazonais para fazer. Depois de acabar a faculdade trabalhou 2 anos para "ganhar experiência" como ele disse e voltou para Pequim porque é filho único e tem que cuidar dos pais, que se privaram durante tanto tempo da sua presença em prol de um bom emprego. Bem, o Dan é Sales Manager de um hotel de uma cadeia de renome. Ao que sei esta é a mentalidade tipicamente chinesa, estudar e ganhar experiência no estrangeiro e depois voltar para cuidar dos mais velhos. Boa ou má, é esta! Partilhou comigo esta história no meio da apresentação que me fez do lugar para onde agora orgulhosamente trabalha. Disse que quando esteve nos EUA sentia muita falta de casa, dos pais, da família. Que escrevia cartas e telefonava. que celebrava o dia de Acção de Graças em vez de celebrar o ano novo chinês, e que tudo lhe parecia muito pouco familiar. Percebo este sentimento porque para mim, aqui deslocada há sensações que são idênticas.

O Dan é apenas um exemplo dessa pressão, dessa mocidade perdida entre livros e estudo e concorrência. É um cérebro formatado com objectivos claros e directos: ser o melhor. Ver para aprender. Aprender com o que é supostamente o melhor para depois poder reproduzir. E as crianças lá vão para as escolas com os olhos postos num futuro que lhe querem incutir desde quase o berço. A própria aprendizagem dos caracteres chineses não deixa de ser uma prova disso. Identificados estão 56 mil.

A China é uma potência em desenvolvimento que expatria os seus alunos, que lhes paga os estudos e que os obriga a regressar para no seu país aplicarem e desenvolverem o que aprenderam. Porque é a este país que têm que prestar contas, e é este país, o seu, que têm que ajudar a crescer.

O preço desse crescimento é que me parece um pouco alto, não?

sinto-me: A dissertar

disse anliang às 16:21
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1 comentário:
De Jorge Pires a 21 de Junho de 2007 às 11:29
Agora acertei o comment com o post!
(metera-se outra cena e depois deu raia!)

Aí para esses lados há outro país onde a pressão também é muito grande: Japão. De tal maneira que há jovens que se suicidam por não conseguirem entrar nas universidades de renome.
E em Portugal também há crianças que sofrem como as chinesas.
Os pais com maior nível educacional e bons rendimentos colocam os filhos numa série de actividades extracurriculares: inglês, francês, piano, guitarra, canto, informática, ciência&matemática, escola de futebol, ginástica, judo, etc, etc.
É bom, desde que não se exagere e as crianças possam também brincar. É que… ser criança só se é uma vez na vida!


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