no Extremo Oriente ...à descoberta de um novo mundo
Domingo, 15 de Abril de 2007
Intemporalidades
As noites começam a ficar mais quentes. É a Primavera a espreitar Pequim em toda a sua força. Na temperatura, nas flores, no verde que ainda não tinha tido oportunidade de ver nesta cidade linda, louca. feia, tão fugaz ou nem tanto. São contradições que me assolam de cada vez que penso nela, em Pequim, que do nada se tornou tudo, e que de repente é casa, é sonho, é realidade.

No mais pequeno dos gestos, julgamos que sempre sabemos o que acontece a seguir. No sorriso amigável de alguém que não nos conhece, julgamos estar um amigo. Na face surpreendida de uma criança, revemos as nossas crianças, as crianças dos nossos amigos, que agora longe, nos trazem as lembranças de quem esteve sempre tão perto.

É esta "mixagem" que cada cada dia nos perturba mais, nos dá sinais que nem sempre sabemos interpretar, que nem sempre queremos interpretar. Às vezes são luzes toscas, às vezes são brilhantes, às vezes iluminam-te, outras apenas te guiam um pouco mais além. E correm os ventos de mudança que encarnas como se a tua pele fosse, para o despertar das consciências que voam entre ti e os os que te rodeiam, sem dó, nem dor, nem ódio, nem contentamento.

E passas o tempo encarnando personagens alocadas a quem és, alocadas às quantas mais vidas que tens, aos momentos que não controlas mas que te controlam a ti e aos sonhos que não tens coragem para realizar. E vives livre e solto no mundo ao teu redor incontrolavelmente feliz ou não, mas com soluços de que quem não volta a trás.

sinto-me: ...
música: Keane


Sexta-feira, 13 de Abril de 2007
Resiliências
As aulas de chinês correm muito bem! Ontem até deu para metermos conversa com o taxista, que se ria de nós, da nossa falta de precisão nas palavras e nos tons das mesmas, contudo, lá repetia as frases para que pudéssemos dizê-las acertadamente.

O Sol e o calor começaram a aparecer, apesar das pequenas gotas de chuva ao final da tarde e anteontem à noite que deixaram no ar o cheiro a terra molhada, do quel de vez enquando sinto falta. O tempo aqui é tão seco!

As noites têm-se feito calmas e de convívio moderado. Para mim têm terminado tarde porque felizmente os meus amigos têm aparecido no MSN para conversar. É estranha esta "conversa"...por um lado parece que estamos mesmo ali, perto deles, porque instantaneamente trocamos impressões, por outro lado não deixa de ser esquisito o facto de serem palavras e sensações escritas, não se ouve a voz dos nossos interlocutores, e no entanto, falamos com vários ao mesmo tempo. Ainda de vez em quando lembro-me da minha casa, das minhas coisas em Portugal, dos programas que se faziam ao fim de semana com uns e com outros. Devíamos poder ir a casa de vez em quando, apenas para ver as nossas coisa. É certo que não sou muito materialista nem apegada às coisas enquanto objectos, mas desde que se começa a morar sozinha e se tem o seu espaço, estas saudades das "coisas" fazem um pouco mais de sentido. Estou no limiar dos três meses na China, em Pequim, e o tempo parece correr, de facto, apressadamente. Para uns corre mais lentamente, para os que sentem a nossa falta, para quem está longe corre mais depressa porque o tempo está mais ocupado, porque há mais novidades, porque o ritmo é outro.

Apetecia-me ver o mar....quando o vemos todos os dias nem lhe ligamos muito, mas quando o não podemos ver, lembramo-nos dele com maior frequência.

A viagem de Maio está à porta. Vamos a Sichuan e as Viagens Gobi têm estado a tratar de tudo. Paisagens naturais, montanha e pandas gigantes. Pelo menos vai se diferente de certeza....Andarmos de mala às costas tem sido divertido, nem que seja pelo simples facto de que passamos anos e anos sentados à espera de uma oportunidade para nos fazermos à aventura, ou de encontrar os parceiros ideais para elas. Em terras chinesas encontrei-os. Pessoas que gostam de viajar, de descobrir coisas novas e que partilham de espírito aventureiro. Assim é a Banpo! Esta viagem, mais dura do que as anteriores porque implica esforços físicos acrescidos, promete. Vai correr bem de certeza e vai ser uma semana hilariante, com montes de fotos e histórias para contar. É a parte em que devo andar de dieta toda a viagem (coisa que bem preciso, aliás), porque ao que sei nesta província a comida é toda picante, e os meus níveis de tolerância, ainda que aumentados, não estão nem de longe nem de perto preparados para esta investida. Arroz....vai ser a salvação!

Amanhã fim de semana! Vamos lá ver qual será o programa das festas... depois eu conto!

Ui, só agora reparei que hoje é sexta-feira 13! Será isso bom ou mau augúrio para os próximos dois dias? Não sendo de todo supersticiosa, com certeza é um bom augúrio para os dias que se seguem.


sinto-me: Sleepy


Terça-feira, 10 de Abril de 2007
Aulas de Chinês parte II
Bem, hoje vou assistir à minha segunda aula efectiva de mandarim, desde que cá estou. Inscrevi-me na Frontiers School que fica em Donghzimen , porque me pareceu boa, e cuja aula experimental eu já tinha frequentado há 2 semanas mais ou menos. A professora é exigente, fala um inglês bastante bom, e explica de forma clara. Sobretudo, TEM MÉTODO! E pronto, era mesmo isto que eu andava à procura. O Gobi juntou-se a mim, o que é bom, e ainda deu para conhecer mais umas pessoas de nacionalidades diferentes. Esta escola é muito acolhedora: tem uns sofás para nós sentarmos no intervalo, e canecas para bebermos chá ou café. Tem assim um ar de "nossa casa".

A primeira aula, foi acessível, algumas coisas eu já sabia, claro, afinal tive 20 horas de aulas antes de vir para a China, mas como o estudo foi quase nulo, está tudo esquecido. Mas agora é para levar a sério, primeiro porque me está a sair do bolso (as outras também, mas pronto), depois porque tenho e quero mesmo aprender mandarim e terceiro porque vai haver um exame no final, e quem não passa, não tem diplomazinho! Não se quer dar o dinheiro por perdido, nem dizer que se esteve quase um ano na China e não se sabe manter uma conversa, nem que seja básica em chinês, no táxi ou no supermercado!

O pior desta língua, são mesmo os tons. Há 4 tons! E isto é muito mais complicado do que pode parecer à primeira vista. Bem, nós no português também temos tons e sons claro, e palavras homónimas e homógrafas e homófonas (ainda se lembram?), e aqui é mais ou menos a mesma coisa, ou seja, se não dermos a acentuação correcta estamos a dizer uma coisa qualquer. A palavra pode escrever-se da mesma forma, mas muda o acento, e temos que pronunciá-la de acordo com esse acento. Por isso é que quando entro no táxi tenho que repetir pelo menos 3 vezes o sítio para onde quero ir, até conseguir ter a acentuação correcta ou até o taxista tentar perceber para onde é que eu quero ir. Normalmente uma grande comédia!

Aprendemos a escrever em Pinyn que é a escrita das palavras com o nosso alfabeto, digamos que é uma adaptação para que possamos aprender chinês, a falar sobretudo,, porque na realidade tudo está escrito em caracteres em todo o lado. A nossa turma, somos 4 em sala, disse à professora que para já não quería aprender os caracteres, precisamos muito mais de saber falar. Claro que podemos ir tentando identificar alguns...mas isto é mesmo complicado, porque são "desenhos" aos quais não estamos habituados, além de serem imensos (última contagem não sei quantos mil).

Estou entusiasmada por aprender mais uma língua, primeiro porque gosto, depois porque preciso e ainda porque é sempre uma mais valia e não aproveitar o facto de cá estar, in loco seria uma tremenda asneira. Assim sendo, há esperanças de um dia entrar no supermercado e  perguntar à empregada pelo produto que não encontro sem ser preciso recorrer ao phrasal book e ou fazer mil e quinhentos gestos para tentar explicar. O ex libris seria eu conseguir ler os caracteres das embalagens daqueles produtos que vejo nas prateleiras e que não faço a mínima ideia do que são, mas que até têm um aspecto apetitoso. Mas isso, teria que haver muitos anos de China, não é? (...)

sinto-me: Teimosa:hei-de aprender chinês


Segunda-feira, 9 de Abril de 2007
Ab immemorabili
Acho que nesta altura da minha vida e com tudo o que tem acontecido, não há melhores palavras que definam o que se sente nestas circunstâncias  do que as da letra de uma das minhas músicas preferidas, de um grupo que oiço há mais de 10 anos:

(It's my life - Bon Jovi )

This ain't a song for the broken-hearted
No silent prayer for the faith-departed
I ain't gonna be just a face in the crowd
You're gonna hear my voice
When I shout it out loud

It's my life
It's now or never
I ain't gonna live forever
I just want to live while I'm alive
It's my life )
My heart is like an open highway
Like Frankie said
I did it my way
I just wanna live while I'm alive
It's my life

This is for the ones who stood their ground
For Tommy and Gina who never backed down
Tomorrow's getting harder make no mistake
Luck ain't even lucky
Got to make your own breaks

(...)

Better stand tall when they're calling you out
Don't bend , don't break , baby , don't back down

sinto-me: in pensamentus

disse anliang às 08:38
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Sedas, dobragens e outros
Este fim de semana foi tempo de variar hábitos nocturnos , sim que isto de frequentar sempre os mesmos sítios numa tão grande cidade, não está com nada.
Antes disso, e para que estes dias de Páscoa não começassem de forma atípica lá fomos visitar no nosso Latino's , que quisemos compartilhar com as nossas visitas de Macau. Ao que sei toda a gente se divertiu e gostaram bastante deste espaço que é um lugar onde, como já sabem se dança música latina tocada e cantada pela banda residente de cubanos. Depois foi tempo de outras andanças, mas que eu não posso contar porque não estive presente. Alguém que o faça!

Sábado foi um daqueles dias de acordar tardio. Eu e o António fomos fazer uns testes de voz para uma gravação de um livro escolar. Andámos longe, longe do centro da cidade e da nossa área de residência, numa parte nova, ainda em, construção. Um apartamento , com sala com isolamento de som e toda a parafernália para fazer gravações. Teste na minha língua mãe, até aqui tudo bem, em espanhol que também não é mau (foi para dar uso às aulas que tive em Lisboa) e espantem-se, em Italiano. Pois. Também fazia falta falar italiano, o António sabia e eu fiz que sabia. Não correu nada mal. A ideia é gravarmos um cd com aqueles dizeres típicos de aprendizagem de uma língua. Estou à espera de saber os resultados porque estávamos em concorrência directa com 2 rapazes angolanos que estavam para fazer o mesmo teste, e espanhóis.

Jantar às 6 da tarde, que ninguém ainda tinha almoçado, e assim foi logo dois em um. De volta ao lar pequinês foi tempo de descanso e de preparação para a noite que se avizinhava. Jantar (para nós não, claro) no nosso restaurante chinês preferido em Sanlitun , com alguns convidados: portugueses que  cá residem e um visitante temporário. Conversa puxa conversa, acabei a noite (eu e os outros) no Maggie's , bar sobre o qual se pode ler:
Maggies is one of the oldest and busiest bars in Beijing . Established in 1993 opposite the Kunlun Hotel it moved in 1997 next to the Hilton Hotel before moving to its current location in 1999 next to the East Gate of the Worker'S Stadium . It got bigger and better each time . Muito mais havia para dizer sobre o Maggie's mas há a possibilidade de menores de idade lerem este blog, por isso....digo apenas que a música é muito fixe e que nos divertimos muiiiiiito !!!!

No Domingo, fui para o Mercado da Seda regatear, porque precisava de comprar umas coisas, e terminei o dia em visita turística à Praça de Tiananmen , que ao entardecer, com o sol a pôr-se e com o arrear da bandeira, fica com um ambiente muito giro. Fiz de guia turística, uma das minhas mais recentes profissões na China.
Foi um Domingo de Páscoa bem diferente, para dizer a verdade, nem me lembrei que era Páscoa...Longe da vista, longe do coração, neste caso da mente.



sinto-me: Em ambientes alternativos

disse anliang às 07:18
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Sexta-feira, 6 de Abril de 2007
Inglês? O que é isso?
Hoje é feriado em Portugal. Para mim também, o que é óptimo! Todos os outros estão nos seu respectivos passatempos, por isso, resolvi que era uma boa oportunidade para ir questionar os serviços chineses sobre a renovação do visto. O que é que faz falta, e mais uns pormenores que podem sempre dar jeito saber.
Claro que, a minha cabeça de vento se esqueceu de imprimir a morada em chinês, e por isso, tive que pedir a alguém que me escrevesse em caracteres, e a sorteada foi a empregada do restaurante onde hoje almocei. No táxi, parecia que tudo corria bem, o taxista acenou que sim, que sabia exactamente onde era a rua, e lá fomos. Fica noutro distrito, a 17 yuans de táxi. Menos mal. Já próximos o homem começa para lá a falar, a gesticular, e claro que como devem imaginar, estava a perceber tudo... enfim, peguei no phrasal book , para dizer que queria ir para o número dois, ele deixou-me à porta de um número 2. Pois é, aquilo tinha aspecto de tudo, menos de um sítio onde se tratavam de visto. Lá perguntei (não me perguntem como) à senhora onde é que era o Bureau , e mais ou menos, percebi o lado da rua onde era. Era do outro lado pois claro, e além dissoa rua onde eu estava não era exactamente o mesma, pois a placa estava em Pynin e eu consegui ler. Atravessei. E agora? Aquilo foi um tal de andar e perguntar, bem a parte do perguntar então foi linda...
A meio do caminho alguém me pergunta

-Do you speak English or French ?
- English , yes .
-Do you know where this is ?

E com isto o rapaz mostrou-me um post it amarelo com a mesma morada que eu tinha escrita no meu bloco. Pois é, o desgraçado andava à procura do mesmo sítio do que eu. Bem lá lhe disse que não sabia onde era, mas que também queria saber.
Fomos os dois à procura do Bureau ...bem, pelo menos tinha companhia.

-Where are you from ?
-I'm from Taihiti , and you ?
- I'm from Portugal .

Encontrámos finalmente o dito. Um edifício enorme, com a bandeira da China hasteada e com a placa: Exit and Entry Mangement Section , Beijing Municipal Public Security Bureau . Resmas de pessoas, filas. Uma espécie de loja do cidadão.
Segundo andar, pelas indicações. Inglês? O que é isso?
Não falavam inglês no balcão onde me dirigi. Mostrei o passaporte, ficaram a olhar para ele com ar de caso, depois alguém balbuciou qualquer coisa em inglês e um chorrilho de palavras em chinês. Para esquecer.
Quem é que me ajudou? Pois bem, quem me ajudou foi um rapaz do GABÃO. Ora pois leram muito bem, era mesmo do Gabão que eu vi o passaporte. E o rapaz falava chinês na perfeição. Aquilo foi um tal de traduzir de inglês para chinês e vice-versa, que até deu gosto. Sim senhor. Quando eu for grande também quero falar chinês assim.
Bem, perguntas respondidas, dúvidas esclarecidas, ainda houve tempo para dar uma volta lá pelo "bairro", que eu por acaso já conhecia, afinal estava perto do jardim onde tinha ido no Ano Novo chinês! Tomei um café no MacDonalds , daquele cafezinho americano muito bom (ugh ), e pronto, cá estou a gozar o resto do feriado, a ouvir música e a postar para que vocês possam ler.

BOA PÁSCOA!

sinto-me: A precisar falar chinês


Caminhos
Caminho sem pressa.
Ao longe o mundo,
A terra que entra pelo mar adentro,
Ao perto, a vida,
Torta, ténue, sombria.
Aqui a paz, a calma do hoje,
E a flecha que perfura a alma,
Escolhida, vendida, amada,
Vence os momentos, escolhe as vozes, os sons para me contar.
Digo adeus,
Digo olá.
Não falo, calo a minha voz,
e sempre os gritos mudos me soam a ternura!

sinto-me: Com a mania que sei escrever

disse anliang às 10:51
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Devaneios
São 3 da tarde.
são horas de rir.
são horas de chorar.
O vento corre apressado e passa por mim, pelos meus olhos que lacrimejam nem sei porque motivo.

Chove, venta, faz sol...o mundo gira depressa demais para se conseguir acompanhar todas as mudanças pelas quais passamos. Viajo no tempo, de táxi, de autocarro, de comboio. Sonho, de olhos fechados, acordada, falo, com gestos, com o corpo, com a voz.

Corro, depressa, por entre as pessoas, por entre a fila de carros da rua, por entre as várias vidas que acho que tenho para viver.
Hoje é hoje, ou hoje é amanhã?
Perco-me, encontro-me...

São cenas pitorescas de alguém anónimo, no centro do mundo, no meio da multidão, corrida a sonhos, a vozes, a pensamentos.

Vejo cores, oiço sons inaudíveis, pessoas. Sinto ternura e ódio. Cheiro o mofo da cidade, das ruas por onde deambulo, dos amorfos que nada fazem, que esperam, que desesperam, que aguentam o que quer que tenham que aguentar. Os que não dizem nada, que esperam, que desesperam! Os que nada dizem, os que nada fazem, os que em tudo pensam. os que vivem, os que morrem e os que simplesmente vivem moribundos e absortos em páginas da sua própria história de vida sem sentido nem significado...

sinto-me: A ver as horas passarem...

disse anliang às 10:05
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Terça-feira, 3 de Abril de 2007
Calor, Sol, Esplanadas, Tsingtao
Almoço Indonésio, na esplanada e a beber Tsingtao! Que bom.

Finalmente sol, banhos de sol.

Pena que a vista não seja grande coisa, mesmo assim valeu muito a pena este almoço. Amanhã, lá estarei, desejosa de sol para ver se perco esta cara descorada e se ganho umas vitaminas extra.

sinto-me: A Esplanar....


Segunda-feira, 2 de Abril de 2007
Imagens de outro Tempo

Pingyao é uma cidade que vem no mapa das coisas que são Património Mundial UNESCO. É uma cidade que parece tirada de um filme faroeste chinês, onde o antigo se mistura com um moderno que já se encontra ultrapassado. A viagem da estação de comboios fez-se num veículo, que como direi, atípico. É  usado ali como meio de transporte turístico e mais não é do que um Golf Car (depois vêem nas fotografias). Lá fomos todos ao molho, coisa a que jjá estamos mais do que habituados, até ao nosso hotel que ficava no centro da cidade. O Hotel era tipicamente chinês, e havia uma cama para três. Pois é, 2 ou 3 ou 4, para os que quisessem porque espaço havia. As camas eram tipicamente chinesas, género um somier gigante em todo o comprimento do quarto. Depois de pousadas as tralhas e de um banho tomado, ainda que este banho tenha sido complicado, não só pelas condições da casa-de-banho como pela falta de água fria (a água era extremamente quente, pouca e cheirava a ferro ferrugento), a ideia era começar a percorrer aquela cidade estranha perdida no meio de uma China gigante.

As ruas da cidade estavam completamente esburacadas. Está a chegar o saneamento básico. Homens e Mulheres abriam buracos, cimentavam as ruas, colocavam tijolos, carregavam pedras. O pó era imenso, aliás nunca estive num sítio em que houvesse tanto pó, tanta terra que se entranhava na roupa, nos sapatos, nos cabelos, na nossa pele. Bolas! Mas lá fomos à descoberta daquela cidade de casas baixas, de pedra cinzenta, rodeada por uma muralha ainda intacta e que guarda templos budistas onde se cheira incenso. Paga-se para ver os monumentos e não é assim tão pouco. As entradas não eram baratas, porque na realidade só se vive ali do turismo e das coisas que se vendem nas imensas lojas de souvenirs . Mas não são souvenirs típicos de Pingyao , são coisas variadas que nada têm a ver com nada, todas misturadas. E ali se vê que há um terceiro mundo diante dos nossos olhos, com um caminho ainda longo para percorrer.



Encontrámos alguns ocidentais visitantes, de certeza com a mesma expectativa com que nós estávamos. Não ficou defraudada porque de facto é uma cidade  antiga, diferente, porém suja e poeirenta na qual nenhum de nós conseguiria viver, nem provavelmente passar mais do que um simples fim de semana. Típicas e giras são as casas dentro da muralha, algumas inacabadas, mas todas com um terraço, como os que temos no Algarve, ainda que a cor da cidade seja um cinza triste. As ruas são estreitas, muito estreitas e as crianças riem e correm e andam de bicicleta na sua inocência de quem conhece uma só realidade . O bar para estrangeiros digamos assim, era de um rapaz que tinha estudado em Inglaterra , onde se podia encontrar um english breakfast e internet grátis.

A viagem até ao aeroporto no Domingo, depois de uma noite a dançar no bar "ocidental" que estava por nossa conta e no qual éramos nós que ditávamos a música que se ouvia, fez-se numa van. Para não perder o bom hábito deste meio de transporte (já o tinhamos usado em Xi'an) lá fomos, 11 pessoas enfiadas à molhada na carrinha, com um condutor completamente louco que fazia inversões de marcha em plena auto-estrada e que cortou caminho por um sítio de terra batida para não pagar a portagem. Não consigo contar a viagem, só posso dizer que foi uma loucura total  e perigosa, enfim, esta condução chinesa é alucinante. Claro que nos íamos a rir, porque senão acho que toda a gente panicava de medo.

Nesta viagem alucinante ainda houve lugar a saudosismos, quando passámos por uma parte de campo que mais parecia o meu Alentejo. Parecia que estava a fazer o caminho Castro Verde - Mértola, com direito a ninhos nas árvores. Foi uma sensação estranha, boa, reconfortante, mas ao mesmo tempo forte, tão forte que quase me vinham as lágrimas aos olhos. O mundo é realmente surpreendente. Como é que em plena China há um sítio que é igual, igual a uma paisagem que eu conheço como as minhas mãos? As cores, as formas, os elementos da natureza....Lindo!

O regresso fez-se de avião, como disse, no meio de alguma turbulência por causa das tempestades, aqui mais do que comuns, demorámos uma hora e chegámos muito cansados, com vontade de tomar um banho na nossa casa pequinesa e dormir na nossa cama, mais confortáveis e com a sensação de que ficámos um pouco mais ricos porque conhecemos mais um lugar deste mundo que nunca conheceríamos se não tivéssemos vindo para este  país, porque apesar de ser Património Mundial, Pingyao não aparece muito nos roteiros turísticos.

Foi cansativo, foi bom!

sinto-me: Surprised and tired

disse anliang às 13:55
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