no Extremo Oriente ...à descoberta de um novo mundo
Quarta-feira, 14 de Março de 2007
Apontamento
Falta aqui dar um pequeno apontamento sobre as discotecas chinesas.
Já falei de alguns pormenores sui generis mas ainda não vos falei de outros. Nas casas de banho, em algumas discotecas, não só temos as famosas massagens como ainda temos a senhora da limpeza que nos dispensa o papel higiénico , sim que isto não se pode desperdiçar nada e se precisares de mais papel temos pena, outra pessoa para nos dar os toalhetes para limpar as mãos. Se quisermos também podemos por creme de mãos ou ainda comprar gloss , o que dá sempre jeito para retocar a maquilhagem, ou ainda comprar uns ganchos ou elásticos para o cabelo caso se queira mudar entretanto de visual ou simplesmente apanhar o cabelo que já nos incomoda.

Nada de brincadeiras na pista de dança. Isso de andarem ao colo uns dos outros não resulta, muito menos se for uma rapariga ao colo de um rapaz. Vem logo o segurança, que normalmente é um chinês com o dobro do meu tamanho e com cara de mau, gesticular e dizer que não, que não há cá essas coisas. (deve ser por causa da moral e bons costumes)!

Vá digam lá que não queriam discotecas destas aí por terras lusas, digam lá? Já falei na senhora que anda constantemente de pá e vassoura a apanhar o lixo do chão?



As aulas de chinês
Bem, já estava mais do que na hora de começar as aulas de chinês. À espera uns dos outros, do acerto de horários de cada um, da disponibilidade e vontade, e ainda dos yuans que se pretendiam gastar, decidiu-se que iríamos experimentar aulas particulares lá em casa. Até era óptimo, na medida em que assim podíamos ajustar horários e matérias e até ficava muito em conta. Pois....mas comigo não resultou! Já se sabe que despassarada como eu sou se as coisas não estão estruturadas e escritinhas , muito bem explicadas a coisa não vai lá.

O professor fala inglês, é verdade, mas não escreve nada, não se organiza e ainda por cima arranjou um livro com imensos caracteres...pois bem, decidi dar-lhe o benefício da dúvida, ou seja, ainda tive 3 aulas mas não consigo mais. Vou experimentar uma escola. Toca de fazer nova pesquisa na net por uma escola perto do trabalho, com preços acessíveis. E pronto, vou lá hoje experimentar uma aula grátis de Mandarim para estrangeiros na Frontiers School . Hoje vou sozinha. O resto do pessoal vai continuar a ter aulas com o John , uns porque não conseguem conciliar horários de trabalho com os da escola e outros porque assim preferem.

Espero que isto resulte, pois interessa mesmo é melhorar a comunicação com os chineses, sobretudo no restaurante, porque para pedir alguma coisa que não esteja no Menu com fotografias é sempre uma coboiada que não tem explicação. Não deixa de ser divertido, mas saber falar também era bom...

sinto-me: A tomar notas...


Quase, quase chinesas....

Vá, digam lá se não estamos todas giras?

sinto-me: Na Primavera...


2 Meses volvidos
Passam agora 2 meses desde que deixei Portugal rumo a uma nova vida, num país que não conhecia, com pessoas que também nunca tinha visto. É claro que não tenciono reportar de cada vez que se assinala mais um mês da minha estadia na China, mas pareceu-me importante o marco dos 2 meses, mas também não sei explicar porquê.

Não se trata de saudosismos desmedidos nem de explicações lógicas, apenas queria atestar o meu estado de alma neste tempo em que tudo o que me rodeia é novidade. Fazer as malas, assimilar que vinha para a China, despedir-me de todos os que sempre me apoiaram e com os quais sempre contei parecem-me coisas distantes, que aconteceram há muito mas que guardo na minha memória de forma adocicada. Não fossem as tecnologias de informação e toda a parafernália de programas que nos permitem falar e ver quem está do outro lado do mundo, com certeza isto não seria assim tão simples. O tempo passou depressa, talvez pela novidade, pela companhia, pelas actividades, pelo trabalho, pelo convívio, por nos sentirmos num mundo ilusório sobre o qual nada sabemos, e que temos que construir dia após dia. E é nesta construção que nos deparamos com dúvidas, com perguntas sobre nós próprios. Efémera ou não esta realidade é pergunta para a qual não temos resposta. Talvez seja ainda cedo para responder ou simplesmente talvez não saibamos que resposta dar, o que é certo é que mais cedo ou mais tarde vamos ter que nos sentar connosco próprios e chegar a uma conclusão.

E o tempo passa tão depressa, tão depressa que na maioria da vezes nem nos apercebemos de todas as voltas que o relógio dá, das folhas do calendário que se vão arrancando com o passar dos meses. E depois? Como será?



sinto-me: Em balanço...
música: Emma Chaplin - Carmine Meo

disse anliang às 03:10
link do post | Digam o que quiserem | favorito

Segunda-feira, 12 de Março de 2007
Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem  alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo :  "Fui  eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

                                               Fernando Pessoa



Porque são as noites e os dias tão curtos?
Parece que realmente é isto que se sente quando os nossos dias são cheios de manhã à noite, em que há sempre "coisas" para se fazer. Até parece que se dorme à pressa e se anda constantemente a correr de um lado para o outro. Não é bem assim, mas não me lembro de haver "tempos mortos" desde que cheguei a Pequim, e desde que a nossa comunidade partilha esta nova vida de 2007.

Durante os dias normais de trabalho, há todo o ritual de fazer o jantar, comer, telefonar cada um para onde tem que ser, e ainda há tempo para "jogar conversa fora", como se não bastasse tudo o que se diz durante o dia no messenger ou por telefone.
É incrível como um grupo de desconhecidos se podem entender tão bem, apesar de toda a sua vida individual que ficou em Portugal. Mas a vida são momentos sucedâneos , que podem acontecer em qualquer parte, por isso, quem nos garante que a nossa vida tem necessariamente que acontecer em Portugal? Cada vez mais me parece que não, que pode e deve acontecer em vários sítios e com várias pessoas.

Este fim de semana recebemos a visita de 3 colegas de Xangai que vieram conhecer a "nossa" Pequim. Espantados pelas diferenças, maravilhados com elas? Acho que saíram de cá bem impressionados, mas melhor do que eu, os blogs deles poderão atestar ou não o que digo.
As noites deste fim de semana foram óptimas, como aliás todas têm sido, Aproveitámos para conhecer mais 2 lugares de culto da noite e pareceram-nos bastante recomendáveis. A música, House , muito boa. Entre copos, dançou-se em ritmo acelerado. Este fim de semana, não fomos ao Latino's ...foi para variar, mas... para começar uma boa noite de copos não mesmo lugar mais apropriado do que este lugar de salsa.

A tarde de Domingo resultou na viagem por entre o que de mais contemporâneo se faz em Pequim em termos de Arte. Foi muito bom mergulhar naquele mundo estranho de representações, de fotografias a preto e branco que retratam uma China real e diferente, cosmopolita e ao mesmo tempo secular. Não sou grande entendida em arte, mas há coisas às quais de facto não se consegue ficar indiferente e viajar quem sabe para mundos tão diferentes e distantes do nosso imaginário comum. Hei-de lá voltar! Porque é um espaço que nos permite sonhar, divagar pela obtusidade dos sentidos, pela estranheza das formas e até das cores.

Bem, e posto isto, concluo que estou há 2 meses na China, a conhecer a cidade de Pequim aos poucos e que me surpreendo a cada aventura que vivo. As noites passam depressa demais, mas os dias teimam em também ser rápidos.

sinto-me: A dar uma de intelectual

disse anliang às 03:13
link do post | Digam o que quiserem | favorito

Quarta-feira, 7 de Março de 2007
Ano Novo, Vida Nova?
Não vos falei do Ano Novo chinês. Coincidiu com a viagem da Comunidade a terras de Xi'an e acabei por me esquecer de dizer como é que este povo oriental vive a mudança de ano. parece-me bem que o refira, primeiro porque é um acontecimento com particularidades muito próprias e depois, porque talvez os meus amigos tenham essa pergunta. Guiados por um calendário diferente do nosso, e através dos signos, é atribuído a cada ano um destes signos, cujos símbolos se vendem em todo o lado. Este ano, o do Porco, fez com que por todos os lados se vendessem porquinhos de peluche, autocolantes e tudo o que se possam lembrar com esta forma ou desenho. A superstição é muito grande, e é preciso reforçar os bons augúrios. As decorações são na mesma onda das que nós fazemos pelo Natal, aliás, nesta festa de Ano Novo há muitas semelhanças com o nosso Natal, exceptuando o carácter religioso que por estes lados a religião não é muito seguida, muito menos a católica.

São duas semanas em que se festeja a chegada do novo ano. São duas semanas em que se escutam dia e noite foguetes que cada um lança de onde bem entender. Compram-se na rua, lançam-se na rua e festejam-se onde se quiser. Depois de muitos anos de proibição, desde o ano passado que voltou a ser autorizado o lançamento na rua deste tipo de elementos pirotécnicos. E há luzes no céu que se fundem de cores, que nos fazem parecer que o céu escuro se ilumina para alegrar os nossos olhos. Primeiro é a admiração, depois a banalização, sim porque duas semanas a ouvir e ver fogos de artíficio tira a sua magia, acreditem. Da nossa janela do 22º andar, tudo parecia mágico, as cores que se misturavam e os brindes a um novo ano do qual também fazemos parte, apesar de já termos tido a nossa dose em Portugal...mas este foi diferente.

No dia de Ano Novo achámos que devíamos participar activamente nas celebrações, por isso, apesar de nos termos deitado muito tarde, alguns de nós achámos por bem, ir pelo fresco da manhã de ano novo, em que tudo estava deserto de gente (coisa altamente improvável numa cidade com 15 milhões de habitantes) a um dos parque onde sabíamos que ia haver fiesta . Uma mistura de Natal com Carnaval, em que as famílias saem à rua para festejar o Ano do Porco. Há máscaras, há celebrações, há tradições em que todos podem e querem participar. Há comida, há feira, há gente que se acotovela para ver o espectáculo de dança e canto, que vagueia semi-perdido pelo meio da multidão à procura de algo que por vezes nem sabe bem o que é. Há risos, muitos, há calor entre todos os que partilham esta festa.

Para fechar as celebrações ainda há um festival de lanternas. São construções de pequenas lâmpadas que representam cenas de histórias tradicionais chinesas. É um "espectáculo" bonito e colorido, aliás, nesta terra a cor é uma coisa fantástica de se observar Não fosse o gelo que se sentia, depois de ter caído um nevão, teríamos com certeza ficado mais um pouco no Chaoyang Park . Acabaram as celebrações do Ano Novo. Foram duas semanas intensas de cor, som e luz nesta cidade. O novo ano começou para este povo, e para nós que cá estamos, talvez também tenha recomeçado...

Bom Ano a todos.

sinto-me: Fiesta
música: Are you still Mad -Alanis Morissette


Segunda-feira, 5 de Março de 2007
À flor da pele
Por vezes, estamos perdidos no meio de uma multidão que nada nos diz em concreto, mas que é a nossa parceira nos momentos mais improváveis. Saboreamos o doce que há num som, num grito, num gemido de prazer, saboreamos o cheiro a mar que nos invade como se fosse uma droga, cheiramos uma flor como se pudéssemos captar para dentro de nós o seu perfume! E com os sentidos à flor da pele, num turbilhão de emoções gritamos o bom que é viver, o bom que é partilhar emoções com quem realmente importa, o bom que é sempre esquecer os momentos que nada nos dizem ou que simplesmente não queremos que façam parte de nós.

Eu escrevi



Peças Soltas


"Somente sobre o que nos assola o pensamento devemos ter atenção, porque o que nos ocorre de forma espontânea é simplesmente o purgar de sonhos que tivémos e que por alguma razão abandonámos sem realizar"

   Eu escrevi



disse anliang às 03:45
link do post | Digam o que quiserem | favorito

Latino's
Achei que devia falar do Latino's . O que é o Latino's ? Este lugar tem sido o início de muitas loucuras nocturnas para a Banpo Village . É onde a noite começa e toma forma para continuar. É o sítio onde se estreitam relações e onde os risos nascem e crescem à velocidade de mais um copo. Ouve-se falar espanhol, francês, e entre outras línguas, evidentemente português. Nunca outro bar em Pequim conheceu tamanho grupo de tugas doidos. Dança-se ao som da salsa, do merengue, dança-se ao som das risadas de felicidade conjunta e partilham-se os momentos nocturnos onde cada um se desprende de todos os complexos que possa ter e abraça o divertimento, porque isto de estar longe de casa... E é aqui que todos se conhecem melhor, onde se dançam músicas mais do que latinas e que nos trazem à lembrança que em Pequim também há ritmos calientes, fazendo lembrar uma qualquer Salsa Latina. E o corpo vibra, vibra a alma e repete-se sempre o ritual de cada vez que queremos estar mais perto de nós, das nossa origens. Aqui, onde meia dúzia de chineses tentam dançar estas danças que lhes são estranhas, nos sentimos cada vez mais em casa.



sinto-me: A dar um pézinho de dança


Quem sou eu?
Roteiro de Viagem

Até Breve...

2008

The very last countdown

Cores

Macau e Hong Kong finally

Confissões

Papéis

Compras e mais compras

Home alone, almost China ...

Entendimentos a Oriente g...

Countdown...

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Área da Cusquice
Janeiro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


blogs SAPO
subscrever feeds