no Extremo Oriente ...à descoberta de um novo mundo
Quarta-feira, 18 de Abril de 2007
Desconexões
E o tempo que passa em redor das nossas cabeças como se fosse um redemoinho turbulento, fugaz e agreste, que nos marca a face às escondidas da luz. Nem em águas lamacentas e profundas encontramos quimeras perdidas, vidas escondidas, para o bem e para o mal. Nem em sonhos cor-de-rosa encontramos sombras de medo e de vida, em que o amor vislumbra os olhos de quem implora a morte ou apenas o desatino infeliz de quem chora para o mundo.

São contos e contas que contamos e dizemos na esperança de que o sol e a lua se encontrem finalmente numa nuvem de espelho, onde a névoa trespassa o inócuo dos sons que inaudíveis escutamos todos os dias da nossa vida.

E há pessoas que passam por nós todos os dias e nos sorriem como se fossemos amigos de longa data, das quais nada sabemos, das quais tudo queremos saber, sobre as quais nunca nada vamos aprender. Porque elas fogem, desaparecem sem rastro deixar, porque na realidade não fazem parte da nossa vida, translúcida aos nossos olhos, mas da qual queremos sempre algo esconder. Não por pudor, apenas porque se tudo revelado, nada sagrado, porque se a transparência dos nossos olhos é mais do que reveladora então os gestos dos nossos lábios têm que necessariamente calar as palavras e os actos, ou a intimidade da qual sempre queremos deixar um pouco, deixa de existir, e tudo deixará também de fazer sentido.

sinto-me: Alucinogénica
música: O Silêncio....

disse anliang às 18:42
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2 comentários:
De Anónimo a 20 de Abril de 2007 às 22:54
Às escondidas da luz

Foi uma das poucas viagens que fiz. Os meus familiares entraram numa loja de cristais em Praga, e eu fiquei à porta, a guardar o meu primo mais novo deitado num carro para crianças.
Experimentei a sensação de ser um estrangeiro por completo. A cidade, apesar de bela, tem a mesma tonalidade pardacenta que imaginei.
Tinha comigo o brilho mais frágil dos afectos e perante mim a estranheza esmagadora de um fluir impessoal.
De repente reparei numa mulher jovem e, só pelos olhares, partilhámos esta intuição. Ficámos presos ao mesmo espanto e a uma espécie de certeza que, antes, preferi sempre ignorar.
Praga não é uma cidade de grande claridade. Mas, mesmo assim, pudémo-nos olhar em intimidade, às escondidas da luz.


De Jorge pires a 22 de Abril de 2007 às 18:54
«pessoas que passam por nós todos os dias e nos sorriem como se fossemos amigos de longa data»
Paradoxo que nos aquece e arrefece.
Ebulição e congelação.
Cristalizar.
Liquefazer.


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