no Extremo Oriente ...à descoberta de um novo mundo
Segunda-feira, 4 de Junho de 2007
Cavalos, Camelos e Escaldões...

Este fim de semana foi tempo de experiências por terras mongóis.
Viagem de 2 dias até à Inner Mongólia.
Cidade de destino Hohhot .
Meio de transporte: o comboio, mais uma vez, o comboio de hard sleep, desta vez, viagem feita em 10 horas.
Dormi bem, salvo nas ocasiões em que os barulhos mais do que sonoros do meu vizinho do lado me interrompiam o sono (o homem roncava violentamente).
O comboio desta vez não tinha bar, mas tinha um ar mais asseado, o ar condicionado funcionou muito bem, não se sentiu calor, e mais tempo houvesse, mais se tinha dormido! Acordada pelo revisor, para nos devolver o bilhete, sim, porque na China quando entramos no comboio damos o bilhete ao revisor que o troca por um cartão de plástico género multibanco e que o arruma numa capa. Quando o comboio está para parar na estação em que saímos, lá vai o revisor fazer a troca dos bilhetes, certificando-se assim que ninguém perde a saída. Em Portugal também, há sempre quem olhe pela nossa saída, certo? :-)

Sábado

Saímos do comboio em Hohhot, capital da Inner Mongólia. Lá estava a nossa guia, Catherine, de boné, óculos de sol e um cartaz a dizer Alexandra Paulino e António Larguesa. Não vimos  a cidade porque foi tudo a correr, e o nosso objectivo não era Hohhot, mas também acho que não havia grande coisa para ver. Tomámos um pequeno-almoço chinês...quer dizer tentámos, porque como eu já expliquei há uns tempos, os chineses comem muitas coisas estranhas ao pequeno-almoço, para eles é como se fosse uma refeição normal. Felizmente havia leite, nescafé e uns bolinhos que não tinham grande graça. Nem doces nem amargos, assim...nada!

Instalados na carrinha que nos havia de levar até às estepes em Xilamuren, quais campos verdejantes, lá começámos entusiasmados a nossa viagem. Desta vez estávamos mesmo bem instalados, a van era nova, tinha ar condicionado e estava bem limpinha. A nossa guia falava pelos cotovelos, era muito simpática e tentava sempre responder às nossas questões. O inglês dela era  muito razoável, aliás ela era professora de inglês em part-time e guia turística aos fins de semana.
Chegados à Grassland, pudemos averiguar que afinal não havia muita relva...quer dizer não havia praticamente verde. Acho que ainda é cedo, segundo a Catherine , lá mais para Julho ou Agosto é que fica tudo verde. Bem seja como for já ali estávamos. Pior foi quando descobrimos que a tenda não tinha chuveiro...pois bem, a nossa barraquita não tinha chuveiro, pior que isso, é que não havia chuveiro público. Íamos passar o fds sem tomar banho, ok...são só 2 dias....podia ser pior....ou não?

Opções de divertimento: andar a cavalo ou de moto 4.
Ficámo-nos pelos cavalinhos. Fizemos um passeio que durou 3 horas. De cavalo, a trote e galope, visitámos mais um templo de homenagem ao Budha, uma casa no meio da estepe onde nos serviram um leite com chá estranho e uns bolinhos que a nada sabiam. O calor apertava, estava cada vez mais quente e o resultado do mesmo e da falta de protector solar foi um valente escaldão...mas de tal maneira que ainda hoje, passados dois dias tenho uma blusa de alças desenhada no meu corpo. Ainda bem que levava boné! Depois de almoço mongol, em que a carne dominante foi borrego, (já não comia borrego há que tempos), vimos no terreiro uma corrida de cavalos e uma luta tradicional, em que o nosso João Medina tão heroicamente participou. De tarde dormitámos, porque apesar do soninho no comboio, estávamos a precisar descansar..

Jantar às 20h00, com direito a borrego mais uma vez, mas agora assado. E que bom que estava o borrego que não sobrou nada para contar história! Depois foi um tal de trocar brindes com os chineses das mesas do lado, e
fotografias, sim porque continuamos a ser um pouco óvnis por estas bandas, que ainda nos demorámos bastante tempo até conseguirmos sair do restaurante. Casacos precisavam-se que de noite arrefece. Foi tempo de apreciar as danças tradicionais da Mongólia em espectáculo que durou cerca de 1 hora e meia mais ou menos. Travámos conhecimento com um grupo de Filipinos jovens que estudam Mandarim em Pequim, e à meia noite foi hora de dormir, não sem antes termos dançado em cima do palco que estava ao ar livre e que depressa passou a pista de dança.

Domingo

No Domingo o pequeno almoço seria servido pelas 6h30, mas como de costume atrasámo-nos. Quando nos sentámos já eram 7 horas e por pouco tempo, uma vez que o pequeno-almoço era típico da Mongólia, ou seja, 3 tigelas gigantes de sopas estranhas com montes de gordura de borrego ou lá o que era, o leite que eles misturam com o chá e que tem um sabor estranho mas agradável. felizmente havia uma massa frita que sabia mais ou menos a bolas de berlim sem creme e que foi o que nos safou! Esperavam-nos 3 horas e tal de van até até ao deserto,
Resonant Sand Gorge, que fica a 50 kilómetros do Deserto de Kubuqi. O George é uma parte do vasto Deserto de Gobi que começa mesmo ao sul de Baotou e que espalha a sua areia pela Inner Mongólia. Claro que com banpo on the road não podia deixar de haver emoção, e a meio do caminho um dos pneus furou. Parámos, mesmo a seguir a uma curva, qual melhor local para o fazer, e toca de sair da carrinha para que se pudesse mudar o pneu. Ora, o macaco estava estragado, por isso foi preciso pedir para um carro parar, emprestar o macaco, mudar o pneu...o macaco emprestado também se partiu, depois da roda mudada felizmente. O nosso motorista lá deu uma nota de 100 yuans ao senhor, riram-se os dois, e lá prosseguimos caminho, em direcção ao deserto.


Chegámos ao deserto...o deserto tem que começar em algum sítio, mas realmente é estranho olhar-se ao longe e ver uma paisagem uniforme de areia, que desenha ondas nas dunas, e que é apenas isso, areia até onde a vista alcança. E mesmo depois de subir a uma das dunas, o que se avista é areia. É uma paisagem diferente, mas o que tem de diferente tem de belo, e quando o vento faz levantar toda aquela areia no ar, sem som algum ao redor, sente-se um paz que não se consegue explicar. Estive no deserto! Que estranho! Felizmente não estava muito calor, o sol estava um pouco tímido. Além de andarmos pelas dunas numas viaturas estranhas, fabricadas para o efeito, andámos de camelo. Os camelos são uns animais dóceis, e as bossas são esquisitas, abanam se fizermos um pouco de pressão...acho que são um misto de músculo e osso. Descemos uma das dunas em veículo apropriado: uma espécie de caixa de madeira onde nos sentávamos e que deslizava duna abaixo alcançando uma velocidade razoável. A sensação era de receio, de estranheza e de adrenalina, sobretudo muita adrenalina.


Era tempo de voltar. Na viagem de regresso todos dormitámos na van . Parámos em Hohhot para jantar, hotpot mongol. Apanhámos o avião de volta a Pequim, com uma vontade imensa de nos mergulharmos na banheira. O duche soube às mil maravilhas, e o creme para as queimaduras também!


sinto-me: Com um escaldão

disse anliang às 15:27
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3 comentários:
De miss beijing a 5 de Junho de 2007 às 03:23
Foi muito bom!!! Um espectáculo!!!


De Jorge Pires a 8 de Junho de 2007 às 00:05
Também já estive no Deserto do Sahara e o que descreves é similar: a viagem enorme, a questão do duche, a imensidão da areia a perder de vista, a sensação de paz, o cansaço e o entusiasmo por tal experiência única e surpreendente.

Só não tive foi direito a essas modernices protectoras para os pés! :-)


De sempre com ar condicionado a 14 de Maio de 2008 às 15:42
isso é que foi uma excelente viagem e sempre com arzinho bem fresco do ar condicionado.


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