no Extremo Oriente ...à descoberta de um novo mundo
Segunda-feira, 2 de Abril de 2007
Imagens de outro Tempo

Pingyao é uma cidade que vem no mapa das coisas que são Património Mundial UNESCO. É uma cidade que parece tirada de um filme faroeste chinês, onde o antigo se mistura com um moderno que já se encontra ultrapassado. A viagem da estação de comboios fez-se num veículo, que como direi, atípico. É  usado ali como meio de transporte turístico e mais não é do que um Golf Car (depois vêem nas fotografias). Lá fomos todos ao molho, coisa a que jjá estamos mais do que habituados, até ao nosso hotel que ficava no centro da cidade. O Hotel era tipicamente chinês, e havia uma cama para três. Pois é, 2 ou 3 ou 4, para os que quisessem porque espaço havia. As camas eram tipicamente chinesas, género um somier gigante em todo o comprimento do quarto. Depois de pousadas as tralhas e de um banho tomado, ainda que este banho tenha sido complicado, não só pelas condições da casa-de-banho como pela falta de água fria (a água era extremamente quente, pouca e cheirava a ferro ferrugento), a ideia era começar a percorrer aquela cidade estranha perdida no meio de uma China gigante.

As ruas da cidade estavam completamente esburacadas. Está a chegar o saneamento básico. Homens e Mulheres abriam buracos, cimentavam as ruas, colocavam tijolos, carregavam pedras. O pó era imenso, aliás nunca estive num sítio em que houvesse tanto pó, tanta terra que se entranhava na roupa, nos sapatos, nos cabelos, na nossa pele. Bolas! Mas lá fomos à descoberta daquela cidade de casas baixas, de pedra cinzenta, rodeada por uma muralha ainda intacta e que guarda templos budistas onde se cheira incenso. Paga-se para ver os monumentos e não é assim tão pouco. As entradas não eram baratas, porque na realidade só se vive ali do turismo e das coisas que se vendem nas imensas lojas de souvenirs . Mas não são souvenirs típicos de Pingyao , são coisas variadas que nada têm a ver com nada, todas misturadas. E ali se vê que há um terceiro mundo diante dos nossos olhos, com um caminho ainda longo para percorrer.



Encontrámos alguns ocidentais visitantes, de certeza com a mesma expectativa com que nós estávamos. Não ficou defraudada porque de facto é uma cidade  antiga, diferente, porém suja e poeirenta na qual nenhum de nós conseguiria viver, nem provavelmente passar mais do que um simples fim de semana. Típicas e giras são as casas dentro da muralha, algumas inacabadas, mas todas com um terraço, como os que temos no Algarve, ainda que a cor da cidade seja um cinza triste. As ruas são estreitas, muito estreitas e as crianças riem e correm e andam de bicicleta na sua inocência de quem conhece uma só realidade . O bar para estrangeiros digamos assim, era de um rapaz que tinha estudado em Inglaterra , onde se podia encontrar um english breakfast e internet grátis.

A viagem até ao aeroporto no Domingo, depois de uma noite a dançar no bar "ocidental" que estava por nossa conta e no qual éramos nós que ditávamos a música que se ouvia, fez-se numa van. Para não perder o bom hábito deste meio de transporte (já o tinhamos usado em Xi'an) lá fomos, 11 pessoas enfiadas à molhada na carrinha, com um condutor completamente louco que fazia inversões de marcha em plena auto-estrada e que cortou caminho por um sítio de terra batida para não pagar a portagem. Não consigo contar a viagem, só posso dizer que foi uma loucura total  e perigosa, enfim, esta condução chinesa é alucinante. Claro que nos íamos a rir, porque senão acho que toda a gente panicava de medo.

Nesta viagem alucinante ainda houve lugar a saudosismos, quando passámos por uma parte de campo que mais parecia o meu Alentejo. Parecia que estava a fazer o caminho Castro Verde - Mértola, com direito a ninhos nas árvores. Foi uma sensação estranha, boa, reconfortante, mas ao mesmo tempo forte, tão forte que quase me vinham as lágrimas aos olhos. O mundo é realmente surpreendente. Como é que em plena China há um sítio que é igual, igual a uma paisagem que eu conheço como as minhas mãos? As cores, as formas, os elementos da natureza....Lindo!

O regresso fez-se de avião, como disse, no meio de alguma turbulência por causa das tempestades, aqui mais do que comuns, demorámos uma hora e chegámos muito cansados, com vontade de tomar um banho na nossa casa pequinesa e dormir na nossa cama, mais confortáveis e com a sensação de que ficámos um pouco mais ricos porque conhecemos mais um lugar deste mundo que nunca conheceríamos se não tivéssemos vindo para este  país, porque apesar de ser Património Mundial, Pingyao não aparece muito nos roteiros turísticos.

Foi cansativo, foi bom!

sinto-me: Surprised and tired

disse anliang às 13:55
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